O sexo em vias de extinção (Preservem o sexo antes que ele acabe)  escrito em sábado 12 julho 2008 06:32

Na era da individualidade máxima, telefones e computadores

substituem a boa e velha relação sexual

Solidão sexual é um tema antigo, mas nem tanto. Foi preciso primeiro criar a história e a cultura para depois surgir a solidão sexual. Prometeu, por exemplo, acorrentado por ordem de Zeus, no alto de uma montanha, foi um dos primeiros solitários de que se tem notícia desde que o mundo passou a ter história. Ainda por cima, era obrigado a aturar aquele urubuzão que vinha, todos os dias, devorar um naco do seu fígado. E tudo por causa de uma reles caixa de fósforo -- também chamada de fogo divino -- que Prometeu ousou surrupiar ao grande deus do Olimpo. Além da dor física, o pobre herói, na flor da idade e com os hormônios fervilhando no corpo, tinha de suportar também uma solidão medonha.

Dá para imaginar o jovem e belo Prometeu, ali, pelo milésimo dia de suplício e carência sexual, olhando já com certo interesse lúbrico para o abutre divino. Tipo “não tem tu, vai tu mesmo”.

Antes de Prometeu e sua horrível solidão, o que havia eram humanídeos peludos aglomerados numa caverna, tremendo de medo da natureza, tentando inventar o fogo e a roda e desenhando aqueles bisontes e cervos que iriam garantir o emprego e a aposentadoria dos futuros arqueólogos.

Alí, na pré-história, pelo que consta, não existia solidão e se copulava à vontade. Era só chegar, roçar e mandar ver. Talvez nem fosse preciso roçar. Machos e fêmeas não faziam questão de beleza nem de posição social por parte do parceiro. Muito menos de inteligência. Se houve algo parecido com o paraíso, foi aquilo.

Carência, mesmo, veio depois da Queda. Ou seja, com a expulsão do paraíso. Foi quando os macacões finalmente aprenderam a falar. Viraram humanos. Alguns, como era previsível, só falavam besteira, revelando-se uns chatos de galocha e sendo por isso marginalizados e até expulsos da tribo. Tornaram-se solitários do tipo “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire....”, como se auto-gozava o autor desse clássico da fossa popular brasileira, o compositor e cronista Antônio Maria. Era ele quem afirmava que a única vantagem da solidão é a pessoa poder sentar no trono de porcelana com a porta do banheiro aberta. No mais, solidão só dá metafísica e samba-canção.

Plugado

Acontece que a solidão, especialmente a sexual, está deixando de ser um problema. Ao contrário, está sendo valorizada, o que é péssima notícia para os psicanalistas, que poderão ver seus consultórios se esvaziarem do dia para a noite. Uma pesquisa recente nos Estados Unidos (claro), revelou que a família ideal é hoje composta de um solitário, um animal de estimação e um computador multimídia, plugado na Internet.

Em torno desse núcleo gravita toda uma constelação de parentes-entre-parênteses: microondas e congelados, TV a cabo e DVD, celular, fax, livros (poucos), revistas (muitas), som, sauna doméstica, armas, aparelhos de ginástica, móveis inteligentes (há uma cama programada para colocar a pessoa de pé, suavemente, de manhã)  e tudo o mais ao alcance de um sólido cartão de crédito.

O sexo interativo-não-virtual (leia-se a boa e velha relação sexual) vai se tornando uma curiosidade do passado. Só hippies embalsamados, índios e parte do proletariado ainda se entusiasmam com a idéia de praticar sexo. Entre os adolescentes também se nota algum interesse sexual, mas nada que um bom par de patins on-line não resolva com facilidade.

Libido

O fato é este: o não-sexo é o que há em matéria de comportamento moderno. Basta olhar em volta. O adultério (lembram-se dele?) está para ser desclassificado como crime no Código Penal Brasileiro, talvez por falta de adeptos. A libido? Esta se fixou de vez no aparelho auditivo, como atesta a proliferação incontrolável de sexo por telefone. E não é à toa que a cocaína, droga que reduz a zero os sinais vitais do organismo, vem conquistando insidiosamente a classe média. A pessoa perde a fome, o sono e o desejo, gastando toda a energia num blablablá sem fim, ao qual ninguém presta a menor atenção.

Vamos abrir os olhos e reconhecer: o sexo está em vias de extinção, como o mico-leão e o peixe-boi, e não há Ibama que venha socorrê-lo. Também, pudera! Dos anos 80 para cá, o sexo acabou sendo associado a pragas como a Aids, herpes, hepatite C, papiloma e gravidez indesejada, entre outros estorvos e ameaças à vida. O discurso clínico tenta tirar o sexo do motel para confiná-lo num hospital. Os resultados disso não se fizeram esperar.

O machão contemporâneo, por exemplo, se gaba das mil mulheres maravilhosas que heroicamente não levou ao leito e de sua fabulosa coleção de camisinhas estrangeiras (tem até uma que toca um cocoricó de galo na hora H), todas elas intactas dentro do invólucro. E tamanho do pênis também não é mais documento (como, aliás, nunca foi). Documento, mesmo, é um atestado anti-HIV negativo com data recentíssima para se pendurar na parede da alcova. Sem contar a criminalização da paquera, rebatizada de “assédio sexual”, que em vez de cama dá cana, como já observou mais de um Mike Tyson da vida.

Castidade

Sintomas de dessexualiazação progressiva do cotidiano pipocaram por toda parte. Na Espanha solerosa, existe um Clube de Castidade, com rápidas e extensas ramificações internacionais. O castor-mor é um físico chamado Marcos Gutierrez, que, pelo visto, de físico mesmo não tem nada. O Clube de Castidade defende a abistinência ostensiva do sexo antes, durante e depois do casamento. Os noivos exibem com orgulho o lençol branco, virginal, na manhã seguinte à noite de núpcias, indicando que sobre ele não se passou nada de interessante.

A maioria dos neocastos, porém, continua evitando a proximidade de outros corpos humanos. Estes, ao contrário de Caetano Veloso, não têm ódio a Grahan Bell e só se comunicam por telefone. Quem viu o delicioso filme do americano Hal Salwen, Denise está chamando, sabe do que se trata. Ali, um grupo de nova-iorquinos se vale do telefone e da secretária eletrônica para simular um convívio que prescinde por completo da presença física. O único casal que procria o faz anonimamente, através de um banco de esperma, sem que o homem e a mulher jamais se vejam cara a cara. Paira, latente, a idéia de que a humanidade pode perfeitamente se reproduzir sem que ninguém precise abrir mão da própria solidão.

Enfim, o que Leonardo da Vinci disse sobre a arte vale também para o sexo: é coisa mental. O corpo é para produzir; a mente que se vire sozinha com suas ridículas fantasias. De todo modo, não falta muito para a ciência nos transformar em um conjunto de próteses cambiáveis, sem desejos nem necessidades que possam se auto-satisfazer. Livres da carne e seus desejos e carências, seremos todos compulsoriamente felizes na mais completa solidão.

O tédio será a principal causa mortis desse futuro anunciado. As publicações de informática ocuparão todo o espaço das revistas de “mulher pelada” nas bancas -- o que, aliás, já é uma tendência observável. O bom da história é que a autora desta matéria assistirá a tudo isso lá do céu, onde estará de visita como bolsista a pesquisar o sexo dos anjos.

*Esse artigo foi publicado no DMRevista, uma espécie de caderno dois do jornal Diário da Manhã, de Goiânia, Goiás, em 28 de junho de 1998. Foi muito bem recebido pela crítica especializada. E parece que, a exemplo de uma pitonisa, estava eu a adivinhar o futuro.


.

permalink

Ellyan e Thanu  escrito em sábado 12 julho 2008 06:32

Ellyan precisou procurar Thanu. Seu instinto animal avisara que sua amada corria riscos. Esgueirando-se pelos becos, rondou sua casa. Toda nua por debaixo do longo vestido negro, de seda esvoaçante, misturava-se  com o negrume da noite, ocultando sua imagem felina. Chegou. Forçou a porta de entrada, que mesmo trancada, cedeu à sua força sobrenatural. Como que pairando no ar, foi se acercando da cama e, parando ao lado, contemplou o corpo semidespido de sua amada. Inclinou-se, quase se deitando ao lado de Thanu. Tocou de leve a face pálida com a ponta dos dedos. Sentiu a pele fria, muito fria. Mal se notava a respiração.

O corpo de Thanu estava inerte, apenas o movimento de um leve arfar nos seios. Ellyan sabia do que sua amante precisava. Sabia a causa deste seu aparente desfalecimento. Sabia também que sua vida dependeria da existência de sangue naquela mulher. Mais do que tudo, sabia que poderia tirar de si própria a seiva que iria fortalecer o corpo debilitado de Thanu.

Sabia que sua amada estava fraca demais para conseguir, pelas próprias forças, sugar seu sangue morno, em estado puro, sempre renovado, para conservar vivos sua juventude e vigor. Sabia que tinha pouco tempo para agir. E sabendo, curvou-se sobre sua amada, adormecida e pálida. Seus lábios roçaram de leve os lábios de Thanu.

Sentiu o ligeiro arfar da mulher que parecia dormir.
- Me beija, amada...Me beija...(mas não teve resposta)

Deslizou a língua pela boca, pela face, percorreu o busto. Entreabriu a camisola branca, desnudou os seios. Colocou um dos bicos na boca, chupou, mamou. Depois, pôs o outro, sugando com força.
- Ellyan...Ellyan...Você veio...Você veio...(a voz saiu como um sopro, um lamento)
- Eu vim, amada...Vim escondida de todos, mas vim...

Agora, se olham nos olhos. Thanu parece hipnotizada, olhos fixos. Thanu procura a boca da amante, os lábios abertos, a saliva escorrendo pelo canto. Como uma loba faminta, engole a boca da companheira.

Thanu pouco reage. Curva a barriga, força os calcanhares para cima, entreabre as pernas. As mãos de Ellyan descobrem partes intimas da menina-mulher. Buscam e encontram os seios empinados, percorrem o ventre bem feito, mergulham entre as coxas, entre o emaranhado de pentelhos aloirados. Sem perder o carinho, ordena:
- Abra as pernas...Abra tudo prá mim...Abra...

Teve que ajudar, forçar as coxas a se separarem. O dedo maior, de longas unhas, enfiou-se pelo meio dos pentelhos e encontrou a vagina aberta e úmida como uma rosa orvalhada. Encontrou o grelo. Dedicou-se a ele. Sem conseguir evitar, Ellyan sentiu sua própria excitação, sentiu sua vagina ser tomada por sucos e líquidos. Sentiu os seios se incharem, tomarem volume. Sentiu o próprio grelo projetar-se para fora do ninho, como um pequeno dedo, como um pequeno pênis.

Sentiu os dentes caninos forçarem espaço entre os lábios entreabertos. Teve que se afastar de Thanu, pra não morder sua boca. Ergueu um pouco o rosto, empinou o peito para frente. Com a mão livre, puxou o cordão que fechava seu vestido negro, na altura do busto. Com um puxão, o tecido de seda negra desceu até a cintura, descobrindo seus seios duros e bem formados. Inclinou o corpo, oferecendo:
- Toma...Toma...Morde ele...Chupa ele...Com força...Faz brotar leite...Faz brotar sangue...
- Quero leite, amada...Quero o seu leite...

Ellyan ajudou sua amante a colocar a boca ao redor dos bicos. Com fracas chupadas e pequenos movimentos de lábios, quase nenhuma gota saiu, quase nada brotou.

O desejo tomava conta totalmente de Ellyan. Enlaçou o seio esquerdo com a mão direita, a mão que até a pouco entrava e saia da vagina da menina-mulher e apertou com força, espremeu com violência. Sentiu que brotava, que marejava o líquido que Thanu queria. Não aquele leite natural de uma mulher, mas um tipo diferente de leite, uma gosma espessa e morna, com cheiro e textura de sêmen humano. Um leite animalesco, fora de existência em qualquer corpo de mulher.

Agora, com a força da mão de Ellyan, não mais brotava um fio daquele líquido, escorrendo pelo seio. Esguichava em jatos seguidos e abundantes, como se fossem ejaculações sendo expelidas por um membro masculino. Os primeiros jatos atingiram o rosto de Thanu, mas os seguintes foram para dentro de sua boca sedenta, quando ela conseguiu abocanhar por inteiro o mamilo que a nutria. A cada sugada da menina-mulher, o rosto da amante se transformava, tomado por um paroxismo de prazer e de luxuria. Ela se transfigurava. Lentamente, ela se transfigurava...

Thanu mamava, engolia se engasgando, saciando sua sede, sem, contudo secar os seios repletos de matéria espermática, que se mantinham inchados, duros, latejantes. Saciou a sede que a enfraquecia. Parou por um instante, balbuciou...
- Agora, a minha fome...Tenho muita fome...Me alimenta, Ellyan...Me alimenta...
- Amada...Amada...Consegue se alimentar em meu corpo? Consegue?
- Não...Ainda não...Estou sem forças...Estou fraca...Muito fraca...
- Quer que eu te alimente? Quer que eu ajude?
- Quero...Quero...Preciso do alimento de seu corpo, preciso...

Ellyan desceu o resto de roupa que cobria as duas. Desnudou a si mesmo e a sua amante. Deitou-se ao lado da mulher, colou sua pele na dela. Sentiu que faltava pouco para atingirem o ponto máximo do prazer. Forçou sua boca novamente contra a boca da outra, sugando, bebendo saliva e ao introduzir a língua para a fenda molhada da companheira, sentiu seus caninhos projetados inteiramente para fora.
Ao entrar na boca de Thanu, raspou a língua nos dentes de sua amante que se afiavam, cresciam, formando vampiresca mordida.

A transformação estava se completando.
- Amada...Consegue agora se alimentar em mim? Consegue se alimentar de mim?
- Não...Não...Ainda não posso...Preciso que me alimente...Dá...Dá prá mim...Tenho fome...Muita fome...
- Eu dou...Eu dou...Vem saciar em mim a sua fome...Vem...Vem...
- Me sacia, amor... me sacia...

Ellyan deslizou a mão direita pelo rosto de Thanu. Afastou-se o bastante para que se olhassem. Depois, olhar fixo, colocou a mão em torno de seu próprio pescoço. Procurou com as unhas a marca saltada da veia jugular. Sentiu seu próprio batimento, sentiu o pulsar acelerado da veia repleta da seiva da vida. Semicerrou os lábios, semicerrou os olhos.

Em um movimento violento, abriu a fenda em seu pescoço por onde escoaria o alimento para saciar a fome de viver de sua amante. Não conseguiu reprimir um urro animalesco de dor e de prazer, de luxuria e de desejo. Thanu agarrou-se ao corpo de sua mulher, puxando-a para si, reunindo forças que ainda não tinha, travando os dentes afiados no pescoço nú de sua amante.
- Toma...Toma, amada...Toma em mim todo o alimento que precisa...Toma...

Alucinadas, se agarravam uma à outra, rolando pela cama, caindo ao chão. Cada vez mais voraz, Thanu cravava os caninos ainda mais profundamente, se alimentando com o sangue morno e abundante de Ellyan. A cada instante, as vaginas de ensopavam, os seios se inchavam, os poros se dilatavam.

O silêncio do quarto foi tomado por urros sobre-humanos, por urros animalescos e sobrenaturais que aumentavam, anunciando o orgasmo das duas fêmeas, das duas cadelas em pleno cio.
- Mata sua fome...Mata meu desejo...Suga meu sangue...Enche suas veias...

A outra, agora agarrada ao corpo de sua mestra, cravava as unhas profundamente naquele corpo nú, se embebendo com abundancia, se deixando tomar por sucessivos e intensos gozos.
- Assim...Assim...Goza, goza...Goza junto comigo...Junto... Goza...Goza...

Em um gesto de animal se acasalando, Ellyan forçou-se entre as coxas abertas de Thanu, empurrando violentamente seu pequeno pênis para a estreita abertura vaginal da menina-mulher. Como que macho copulando a fêmea, consumou a introdução de seu membro na vagina da escrava, em frenesi alucinado, atingindo com a ponta do pequeno pênis o forro do útero da amante, depositando ali, em repetidas ejaculações, sua semente animalesca, fruto de seu prazer.
Em meio a orgia vampiresca, atingiram juntas a uma sucessiva carga de orgasmos, desconhecida e inatingível a qualquer mulher da raça humana.

O tempo parou durante a cópula bestial entre vampirescas figuras.
Lá fora, entretanto, os cães uivavam e latiam, apavorados, notando no ar e nas narinas, a vibração e o cheiro de sexo sendo expelido de forma sobrenatural daqueles corpos nus.

Sentindo seu grelo voltar para o interior da vagina, a mestra retornou ao seu estado de consciência:
- Entrei em suas entranhas...Plantei meu sêmen em seu útero...Fertilizei seu corpo com meu sangue...Agora, somos uma só mulher, um só corpo. Sou sua Senhora, você é minha Escrava.
- Sim...Senhora e Escrava, para sempre...Mestre e Serva.
- Para sempre...Minha serva. Meu objeto de prazer.
- Obedecerei a tudo...a tudo...

Instintivamente, se agarraram, as bocas sujas de sangue em um beijo de língua, as unhas se marcando, alucinadas. Teriam recomeçado a orgia, caso não notassem ruídos diferentes na rua, na viela escura.
- Tenho que ir, amada...Tenho que ir, já parece amanhecer...
- Vá...Anda...A luz do dia não tarda a surgir.
- Quero você mais e mais...Escrava!
- Vai ter sempre, Mestra...Sempre!

Lentamente, as marcas das feridas nos corpos começaram a desaparecer. Apenas ligeiros arranhões onde profundas chagas haviam sido feitas.

Ellyan vestiu sua roupa negra e vestiu Thanu com sua camisola branca. Fez a menina-moça deitar-se na cama e a cobriu. Beijou-a na boca, com volúpia e luxuria.  Do mesmo modo que entrou, saiu.
Seu caminhar pela escuridão, agora teria que ser mais lento. Sentia-se cansada. Alimentara sua amante com quase todo seu sangue. Sentia que lhe faltavam forças.

Então, na quina de parede junto a casa de Thanu, ao lado de sua janela, notou um vulto se esgueirando. Percebeu tratar-se de um homem, por certo um andarilho noturno que fora atraído pelo ruído vindo do quarto. Dirigiu-se até ele. O homem, talvez em torno de 40 anos, era quase negro, um mulato forte. Nada tinha de indigente, ao contrário, estava bem vestido, limpo.

Ellyan se aproximou, quase o tocando.
- Que faz aqui, a esta hora?
- Os cães, eles latiam muito, estavam apavorados. Sai para o quintal, ouvi barulho...
- Ouviu barulho?...Só isto ou viu alguma coisa?
- Não vi nada, quase nada. Quando encostei na janela, vocês já tinham terminado.
- Terminado? Terminado o que?
- Você e a outra moça...Terminado sei lá o que. Vi vocês se beijando, foi só o que vi.
- Só isto você viu? Mais nada além que isto? Fala! Anda, fala!
- Não fica nervosa. Só isto, mais nada. Vi o beijo de vocês, na boca, de língua.
- Só isto então? Só isto mesmo?
- Só. Nada mais.

Ellyan ergueu a mão e com a ponta dos dedos, desatou o nó, afrouxou o cordão que prendia seu vestido negro junto aos seios. Deixou que ele deslizasse por suas curvas perfeitas, se mostrou nua para o estranho.

O homem deu um passo à frente, enlaçando-a pela cintura. Colou seu corpo no dela, o volume de seu pênis estourando a calça.
Ellyan o tocou, por cima do tecido. Apertou a massa de nervos. Mesmo sentindo-se fraca, com as unhas, fez rasgar a calça do desconhecido. Seu pênis negro saltou duro e latejante para fora.

Abraçou-o e ajeitou seu ventre de encontro ao homem. Ele a prendeu com as duas mãos pela bunda, puxando-a para cima de si próprio. Em um gesto felino, Ellyan impulsionou o corpo, enlaçando a cintura do negro com toda força que ainda tinha nas coxas. Sentiu a cabeça melada do pênis logo abaixo de sua vagina.

Abaixou um pouco mais os quadris.
- Enfia seu caralho em mim...Enfia até o fundo...Enfia...
O homem passou uma das mãos para o meio do seu caralho e ajustou a cabeça na fenda de Ellyan. Ela emitiu um ruído gutural, quando sentiu que começava a entrada em seu corpo de uma estaca maior que as normais.
- Desce em cima de meu pau, desce...Desce até meu saco...
- Toma...Toma...É minha boceta que quer, não é?...Pois toma...Toma...

Cada pedaço que entrava, o negro urrava de prazer. Nunca penetrara uma vagina tão quente e tão apertada. Nem precisou ajudar Ellyan a mover-se por sua vara endurecida, ela oscilava para cima e para baixo, da cabeçorra roxa até o saco peludo, empalada pela estaca da volúpia.
- Inteiro...Você quer inteiro, não quer?...
- Isto...Isto...Até bater no saco...Isto...

Evitou seu beijo, quando ele a procurou com a língua, mas forçou a boca contra o rosto suado, encrespado de tesão, depois desceu, lambendo, em direção ao pescoço, em direção a veia saltada e vibrante da jugular.

Enlouquecida, sentiu os cantos da boca sendo puxados para trás, para dar passagem aos dois caninos afiados e pontiagudos, prontos para o ataque.

Sua pele encheu-se de repetidos arrepios, anunciando seu estado de intensa excitação. Seu rosto se transmutara por completo, adquirindo uma beleza bizarra, satânica.

O desconhecido se encontrava em plena ereção, em estado de gozo.
Então, inesperadamente, como um animal...A mordida, o talho no pescoço, o sangue jorrando.

Ellyan cravou os dentes na jugular, chupando avidamente as golfadas abundantes que saiam aos jatos das veias daquele negro musculoso.
A cada golfada, mais e mais força Ellyan sentia. A cada golfada, mais e mais prazer o negro obtinha. Toda a força voltara, ela agora cravava as unhas nas costas do homem, exigindo:
- Esporra...Esporra em mim...Esporra...

Como que procurando segurar-se em alguma coisa, o desconhecido pressionou Ellyan contra a parede, em meio a sua agonia e a seus estertores de gozo. Seu pênis enormemente endurecido expelia jatos seguidos de esperma, dentro da vagina e depois sobre os pentelhos e sobre a barriga de Ellyan.

Ela o soltou quando sentiu o calor e a gosma do sêmem dentro e fora de seu corpo. O negro foi aos poucos deslizando pela parede e caiu no chão sujo do beco, dobrado sobre o próprio corpo.

Ellyan acariciou as partes lambuzadas de esperma. Esparramou pela pele, como se fosse um creme de vida. Estava refeita, forte e intensamente excitada.

Puxou a roupa e cobriu sua nudez. A pele da face voltara ao normal, os lábios cobrindo os dentes perfeitos, o sorriso emoldurando a face morena e incrivelmente fresca e juvenil.
- Você esporrou em mim...Gozou em mim...Colocou seu esperma em meu corpo...

Abaixou-se, acariciou a fronte do desconhecido. Sorriu.
- Você teve um prazer jamais sentido por nenhum homem na face da Terra. O preço, bem sabe, foi caro. Eu te dei meu corpo, você me deu a vida. Uma nova vida...

Erguendo-se de leve, como que pairando no ar, a Mestra sumiu na escuridão da noite.

permalink