Sou poetisa,
mulher criativa,
próspera por desejada.
Sou mulher
imperfeita,
mas tenho luz própria
- o brilho de noites estreladas.
Sou mulher que tem o
poder de ligar um neon na aura
quando quer ser bela.
Sou mulher que traz
o doce no olho,
a dissimulação sem leque,
a liquefação de fêmea
sob a ternura de menina.
Sou mulher sem
verniz,
mas que ofusca entre as próprias aspas.
Sou mulher
incondicional,
que não põe seu homem à deriva por
chantagem,
nem procura negar-lhe por essência.
Sou mulher a quem
falta o ar
sem o contentamento de ser amada
Sou mulher que se
deixa carregar pela cintura,
cheia de dignidade,
praia adentro,
mar afora.
Sou mulher,
magneto sutil,
ligado ao interesse nítido do corpo,
olhando de outro mundo,
mas em posição perfeita
no momento de trocar o controle dos dínamos,
sem perder o tom de prece da cantoria.
Sou mulher que
deseja a felicidade das estrelas
e assim não nega combustível ao seu
foguete.
Sou mulher que se
atira no carro,
no colo, certa como um entardecer.
Sou mulher que
não recua diante do seu feminino
nem do que é sagrado ao seu homem.
Sou mulher que gosta
de estoques de excitação,
que abre fendas no tempo para a saciedade.
Sou
mulher-fada,
sem pressa em usar o poder do encantamento,
sorridente de magia e predisposição.
Sou mulher que
expõe desejos,
que repete os versos idílicos de seu homem,
espantada por não tê-los escritos,
sem esconder que estes foram certeiros.
Sou mulher
adulta,
não tardia:
aquela que não se mede pelo virar do calendário
nem pela conta dos dias.
Sou, por isso,
e por tudo isso,
aquela cujos olhos brilham ao saber que a potência,
a criatividade e a paixão de seu homem apontam para
si.
Satisfeita em minhas
vontades,
sirvo-lhe poemas matinais,
se é poesia que ele quer,
para voltar do cosmo,
após o gozo vencido.
E café na
cama,
comidas afrodisíacas,
carinho construído como paisagem na manhã
dourada.
Sou mulher,
nua,
lua apaixonada!
Mulher que ferve ao
sentir-se desejada
e despeja o caldo do prazer sobre seu poeta
com toda a luz de estar presente
Mulher que vai
despida ao jardim
buscar uma flor para as carícias do seu homem.
Mulher que prepara o
quarto com surpresas:
olhares no silêncio,
lágrimas de paixão,
espasmos e arrepios,
lenços de seda depois de um banho de estrelas.
Mulher que serve ao
seu homem,
como amante,
sem pressa,
para que ele saiba regular nas pupilas
o despertar ou o fulminar de tua ereção.
Caso queira,
volto a ser criança
o tempo suficiente para mostrar-lhe
como se brinca com as próprias luzes,
iluminando o quarto ao seu lado.
Ah, como acredito em
meu homem,
pois este troca gestos e acaricia com o olhar,
sinaliza desejos em palavras.
Sinaliza o amor como
sendo troca,
a única coisa que vale qualquer preço:
vale trocar de mundo,
de pulmão,
de medo,
de profissão,
de paradigma.
Tristes são
os amantes
que não tangem o sagrado num ato de amor.
A poesia que une
nossos corações é vínculo:
não precisa anel de compromisso
nem subir, vestida de noiva, escadarias de catedrais.
Se procura por uma
mulher com tesão em si própria
e disposta a trocar fluidos – do genital ao metafísico
-,
feliz por ter um amor,
sábia a ponto de ensinar com a pele que,
ao largo das sócio biologias
imperativo mesmo é unir duas almas
em estado de troca,
aqui estou.
Aqui estou para
unir-me a ele,
e doar-me,
muito além das subdivisões,
sob suas mãos incansáveis
para expressar sonhos táteis.
Sejamos, pois,
poesia e leveza,
que permitem a eterna juventude aos que amam,
pelo menos enquanto amam.
Beijo-lhe os olhos
sem medo,
sem arrependimento,
pois este é arte do depois.
Beijo-lhe,
então,
com coragem!
Não dá
pra ser feliz
e ter medo de amar ao mesmo tempo.
Amor é presente!
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Paraty (RJ), 2 de julho de 2008